Para vocês que escrevem uma tese de mestrado...
Do que eu me fui lembrar.
Já passei por aquilo a que alguns chamam "um bicho de sete cabeças" ou que outros chamam, orgulhosamente, "a minha investigação"...
As opiniões para mim, são como o cu. Cada um tem um.
(Sem querer falar aqui em bonito ou feio, evidentemente.)
E por isso este post retrata a minha opinião sobre uma tese de Mestrado.
A minha aventura começou em Outubro de 2010. Sim, aventura porque como em todas as aventuras sentimos adrenalina e medo.
Um professor de faculdade disse-me: "A tese vai ter que ser a tua paixão nos próximos meses. Levando atrás tudo o que as paixões têm de bom..e de mau". E assim foi...
A coisa mais complicada por vezes é: nada mais, nada menos, do que saber o que se vai fazer.
Vou estudar o quê? Como? Quando?
Parece óbvio, mas saber o que se vai estudar, saber o que há por aí (o google não faz, obviamente, parte) sobre o tema, quais são os investigadores mais conceituados, como é que o tema tem sido abordado etc são questões de extrema importância e que por vezes nos ocupam 2/3 meses!
Depois de termos isto mais ou menos definido (sim. Dear friends até ao momento em que se entrega a tese na secretaria da faculdade nada é 100% definido, trust me.), entramos na fase da excitação (recordo que todas as paixões têm uma fase assim..).
Esta fase é perigosa.
Estamos tão, mas tão comprometidos com a nossa maravilhosa investigação (aqui ainda não é um bicho de sete cabeças) que a nossa família, os nossos amigos, as caras metade ficam para 45879545 plano!
Até somos capazes de trocar uma noite de borga, por uma noite de trabalho em frente ao pc. Enfiamos uns phones e non stop...produzimos umas 10 páginas em poucas horas.
Depois da excitação, vem o desespero.
E passo a explicar porquê.
No meio de tanta excitação queremos é escrever, escrever, escrever e fazer aquilo em 2 dias.
Maaaas, depois temos um diabinho, perdão!! Um orientador de tese que nos diz "assim não", "tem que mudar isto", "e se fosse desta maneira", "leia mais estes 458746 artigos" e nós ficamos com aquela cara de WTF...sacana!!
Vamos para casa (ou para outro sítio qualquer, realmente estou sempre a mandar as pessoas para casa) e lá se foi o excitex...
Hello desespero!
Queremos fazer tudo e não sabemos como.
E aqui, pronto.
Para os mais frágeis, como eu, vem o choro.
Talvez para outros venham os murros e pontapés.
Coisas boas não virão porque esta porra da tese desgasta (e muito) uma pessoa psicologicamente.
E ficamos como a Alice no país das maravilhas. Perdidos num labirinto. Sem ver uma luzinha ao fundo do túnel, nem que seja a piscar pouquinho ou só de vez em quando.
E o melhor é mesmo deixar a coisa arrefecer.
Desabafar com colegas, comer chocolates, chorar no colo de alguém, mandar dardos à foto do diabinho...tudo menos fazer delete no que já se fez hein?!
Consequência desta fase, vem a falta de vontade/motivação/energia..o que quiserem chamar!
Como já passou a fase inicial da excitação já não temos flow para nada.
Sabemos que temos que a fazer (há datas a cumprir), mas não temos vontade de começar.
Ora, lembram-se do que disse? A tese é a nossa paixão, logo estamos numa relação.
Como tal, isto é como o amor: quantas mais vezes o fizermos, mais vontade temos de o fazer.
So? Let's do it!!
Mesmo sem vontade, cada palavra, cada linha, cada página leva-nos para mais perto da meta.
Imaginem-se a correr.
Já corremos 20 km's mas só por estarmos a ver a meta, ganhamos energia e ainda corremos mais e mais depressa!
Right?
O importante é a disciplina e a resiliência (para os mais distraídos é a capacidade de ultrapassar obstáculos)!!
Imaginem a vossa meta.
E imaginem que no dia em que defenderem essa porra vão ser as pessoas mais felizes do mundo!!
É uma alegria inesplicável e um dia muito especial nas nossas vidas!
Isto acabou em bem.
Mas, não. Ainda não estou pronta para fazer outra tese.
Ainda a vejo como um parto e ainda não estou preparada para outra.


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